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Revista PORT.COM • 16-Mar-2017
A oferta turística do Centro de Portugal em ano de visita do Papa



Em entrevista exclusiva à PORT.COM, o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, convida os portugueses e lusodescendentes nas comunidades a explorarem a região turística nacional que engloba mais municípios.

Entrevista a Pedro Machado – Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal

 

O ano que assinala o centenário das aparições de Fátima é certamente especial para o Turismo do Centro. Depois de em 2016 ter sido batido o recorde de turistas na região, espera que um evento desta magnitude contribua para que esse registo seja novamente superado?

O ano 2017 é, de facto, particularmente importante para a região Centro e para Portugal. O centenário das aparições de Fátima é, naturalmente, um acontecimento de cariz nacional e internacional. Fátima reforça, não só para o Centro mas também para a marca Portugal, o posicionamento do turismo religioso. Para além do caráter nacional, eu diria até mundial, que representa Fátima, a vinda do Santo Padre, Papa Francisco, ainda coloca um foco maior sobre o conjunto de visitas, quer de peregrinos, quer de turistas nacionais e muito particularmente de turistas estrangeiros. De acordo com as estimativas que o Santuário revelou recentemente, acreditamos que maio possa trazer a Fátima mais de um milhão de visitantes e peregrinos, uma fasquia elevada face a ano transatos.

 

Quais são os países de onde são esperados mais turistas a visitar Fátima por essa altura?

Fátima, altar do mundo, tem hoje uma capacidade de penetração por todo o planeta. Para além do Brasil, da Espanha e da França, também há países que não eram mercados consolidados e agora começam a ser, nomeadamente da Ásia. Falamos da Coreia do Sul, Vietname, Filipinas, Tailândia, por exemplo.

 

Dentro do crescimento dos números do Turismo do Centro, qual tem sido o papel do turismo religioso?

O turismo religioso tem vindo, à semelhança do que acontece com outros produtos, a consolidar uma tendência de crescimento. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o Centro de Portugal cresce, em média, 10%. Praticamente são 12,3% de crescimento de turistas estrangeiros e 9,5% de turistas nacionais. Esses 10% são transversais a toda a região Centro e a todos os produtos, sendo certo que o fenómeno do turismo religioso tem vindo a aumentar.

 

Para além de Fátima, há outros pontos da região Centro a contribuir para a atração de visitantes ligados ao turismo religioso?

Ou turismo religioso na região Centro não se esgota apenas na promoção de Fátima e do turismo mariano. Hoje estamos com uma penetração maior em matéria de alguns mercados que não são mercados tradicionais do Centro, como é o caso do mercado americano e do mercado israelita, graças ao turismo judaico. Isto deve-se particularmente à zona da Serra da Estrela, em municípios como Belmonte, Manteigas, Trancoso e Guarda, que têm vindo a estruturar produto e a criar novos investimentos, nomeadamente hotéis kosher, para terem resposta para esse nicho de mercado. Para além disso, ainda temos o caminho português de Santiago.

 

Certamente que o Turismo do Centro desejará que a multidão que vai visitar Fátima em maio fique o máximo tempo possível na região…

Essa é uma evidência. Fátima recebeu dados oficiais da Reitoria do Santuário que apontam 5,3 milhões de visitantes e peregrinos em 2016, dos quais resultaram menos de 800 mil dormidas, ou seja, uma percentagem reduzida. Pior ainda, dessas 800 mil dormidas, a média é uma noite. Mas isto também significa que temos mercado para crescer, podemos tentar captar mais um ou dois milhões de dormidas. Também podemos aumentar a estadia média.

 

O que a entidade tenciona fazer para cumprir esses objetivos?

Criámos, por exemplo, roteiros que vão ser distribuídos nas comemorações do centenário, nos quais procurámos integrar produtos: o fenómeno religioso com o turismo cultural, com o património mundial edificado e com a gastronomia. Também vamos fazer o lançamento de uma revista para operadores turísticos, com o qual vamos procurar consolidar o destino. Para além disso, vamos realizar o maior workshop de turismo religioso da Europa, nos dias 9 e 10 março, no qual reuniremos em Fátima mais de 120 operadores de mais de 30 países.

 

Do Xisto e Históricas, as muitas aldeias candidatas a “Maravilhas”

 

Como é que recebeu a novidade de que o concurso 7 Maravilhas está de volta e com a temática “Aldeias de Portugal”?

Senti-me feliz. A sessão foi apresentada na aldeia do Piódão, que faz parte das nossas riquezas. A rede das Aldeias do Xisto está praticamente toda na região Centro, assim como a rede das Aldeias Históricas. Estou convencido que este concurso validará maravilhas da região Centro. Penso que teremos um desfecho francamente positivo, como aconteceu na edição dedicada à Gastronomia.

 

O que recorda dessa edição das “7 Maravilhas – Gastronomia de Portugal”?

Lembro-me que, nessa altura, a região Centro tinha sete produtos nos 21 finalistas. Se dividíssemos o número de finalistas pelas sete regiões turísticas nacionais, cada uma teria três. Repito que nós tínhamos sete. Isto demonstra bem a diversidade, riqueza e autenticidade da gastronomia da nossa região.

 

Para além de aldeias, o Centro de Portugal também é um território com várias cidades com dinâmicas turísticas…

Sim, o Centro não tem uma cidade dominante, como o Porto ou Lisboa, no sentido da sua capacidade de assumir a liderança de uma região. A região Centro assenta numa realidade de cidades intermédias, normalmente até 120 mil habitantes, cujo valor vale pelo conjunto e não pela individualidade. Uma rede de cidades médias é uma mais-valia, porque permite uma visitação num curto espaço de tempo e distância. Viseu, por exemplo, está perto de Aveiro, de Coimbra, da Guarda. Temos uma acessibilidade direta rodoviária fantástica, em perfil de autoestrada, que nos permite um conjunto de experiências absolutamente diferenciadas: visitar Viseu é visitar Grão-Vasco e tomar contacto com o vinho do Dão, mas se viermos a Aveiro temos o contacto direto com o mar, em cerca de 70 quilómetros de distância, que é uma distância praticamente inócua em qualquer país do mundo. Valer pelo conjunto e pela diversidade das experiências acumuladas permite-nos, em primeira instância, captar o mercado nacional, que é o nosso principal mercado.

 

Camas para todos os tipos de turistas

 

Quais são os segmentos de alojamento turístico que mais têm evoluído na região Centro?

O Centro felizmente tem vindo a ter um desenvolvimento equilibrado. Não há apontamentos esmagadores de uma tipologia, felizmente temos vindo a consolidar duas ou três tipologias que nos permitem concluir que o destino continuará a crescer de forma sustentável. Têm havido processos frequentes de requalificação de unidades hoteleiras de três e quatro estrelas em muitas das nossas cidades, como Aveiro, Viseu, Coimbra, Figueira da Foz, Leiria, Covilhã e Guarda. Esse investimento também aproveita o facto de estarmos num exercício de quadro comunitário, o Centro 2020. Também temos vindo a crescer no segmento dos hotéis boutique. Uns estão a instalar-se, outros em ampliações. Este conjunto de hotéis pequenos, mas de grande diferenciação qualidade de serviço, fazem com que o destino comece a posicionar-se para um segmento de mercado de maior valor acumulado.

 

Para além desses hotéis há o turismo em espaço rural…

Exatamente. Temos uma enorme variedade de turismo em espaço rural com unidades de qualidade superior que fazem o equilíbrio deste território tão vasto. É preciso ver que o Centro junta 100 municípios, 31% do território nacional. Todas estas tipologias fazem-nos ficar positivamente expectantes relativamente àquilo que é o futuro próximo.

 

Com tanta oferta torna-se mais fácil convidar os lusodescendentes cujas famílias não mantiveram habitação no país de origem a virem conhecer as suas raízes…

Há várias oportunidades. Nós temos um carinho especial pela nossa comunidade emigrante. Para além de gostarmos de os receber, queremos dizer-lhes que há aqui oportunidades de negócio que é importante explorar, mostrando-lhes que o turismo está a crescer de forma consolidada e que ainda precisamos de alguns apoios e equipamentos para a atividade turística. Coimbra é exemplo disso, com uma capacidade hoteleira diminuta face ao crescimento que está a ter e ao aparecimento de novos equipamentos, como é o caso do Centro de Congressos.

 

Os atrativos para as férias dos emigrantes

 

A Secretaria de Estado das Comunidades tem promovido encontros com os portugueses fora de Portugal, levando consigo representantes de outras secretarias de Estado, como do Turismo. Um dos objetivos passa pela atração de investimento no país. Como é que avalia este tipo de iniciativas?

Nós estivemos recentemente com o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, e até já tivemos algumas conversas, no sentido até de na região Centro se virem a instalar gabinetes associados quer às comunidades portuguesas, quer à Secretaria de Estado do Turismo, para validarmos oferta e formação específica para esses nossos compatriotas pelo mundo. Sendo o Centro uma região com um fortíssimo índice de emigração, em territórios como os distritos da Guarda, Leiria e até Coimbra, nós esperamos estar a trabalhar no sentido em que um dia esses emigrantes sejam investidores na região Centro e possam regressar ao seu país-natal. Portanto, nós vemos isso como algo muito positivo.

 

Muitos desses emigrantes quando regressam no verão, focam as suas férias na sua aldeia de origem. Muitas vezes estacionam o carro e não o mexem mais. Como convencê-los a visitar os concelhos que há à volta?

Em primeiro lugar é bom respeitarmos esse descanso merecido de quem chega e quer regressar às suas raízes. A região Centro como tem esta característica, como falámos há pouco, de ser composta por cidades médias com experiências diferentes perto, podem facilmente num perímetro não muito longínquo encontrar bons motivos de animação para as suas férias.

 

Suponho que um desses motivos de animação sejam as praias fluviais. No ano passado a região Centro bateu o recorde de Bandeiras Azuis recebidas nestes espaços…

Sim, esse é um bom exemplo. Nós temos uma fantástica rede de mais de 70 praias fluviais esmagadoramente com Bandeira Azul, devido à qualidade da água. Temos algumas barragens e albufeiras, muitos espelhos de água, desde a Aguieira a Castelo do Bode, adequados à prática de desportos náuticos, o que é sempre interessante e entusiasmante para famílias com filhos. Para além disso, no que toca às praias marítimas, também temos, por exemplo, Mira, a praia portuguesa com mais anos consecutivos de Bandeira Azul.

 

Para terminar, que outros atrativos turísticos gostaria de destacar já para o verão deste ano?

Os nossos emigrantes poderão encontrar dentro da região Centro um pouco de tudo: praias marítimas e fluviais, gastronomia, património, cultura, paisagem. Temos uma rede interessantíssima ao nível dos museus e uma rede de gastronomia que temos vindo a trabalhar, nomeadamente no caso de Viseu, com a AHRESP. Através do Programa Seleção estamos a qualificar os serviços que prestamos. A Serra da Estrela é atualmente tão convidativa no verão como no inverno. Hoje a prática de desporto e turismo ativo fazem com que tenhamos muitos trilhos marcados, num trabalho que foi feito com as câmaras municipais. Não faltam bons motivos para que possamos seduzir essas nossas comunidades que chegam.


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