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Revista PORT.COM • 11-Dez-2016
Luís de Matos espalha magia em Paris



O ilusionista português Luís de Matos anda a espalhar magia na sala Folies Bergère, em Paris, há quase um mês.

“The Illusionists: a nova geração de mágicos” está em cartaz desde 14 de novembro e foi prolongado até hoje, face ao “êxito um bocadinho inesperado”, já que inicialmente estava previsto até 4 de dezembro.

“Não houve uma única noite em que nós não tivéssemos a bênção de ter uma ovação de pé. Aliás, a dada altura eu perguntei se isto era normal, se isto acontece a todos os espetáculos e disseram-me: “Não, não, não, pelo contrário, o público parisiense não se levanta!” (…) Ficamos muito felizes de perceber que o espetáculo é muito bem aceite”, afirmou à Lusa Luís de Matos, no final de um espetáculo, acrescentando que “em pouco mais de três semanas” foram ultrapassados “os 30 mil bilhetes vendidos”.

O espetáculo reúne sete ilusionistas de diferentes nacionalidades, a começar pelo português, que aparece no centro do cartaz, o australiano Raymond Crowe, os norte-americanos Ben Blake e Krendl, o britânico James More, o francês Enzo e o sul-coreano Yu Ho-Jin.

A magia começa mesmo antes de o público entrar na histórica sala - onde subiram ao palco nomes como Charlie Chaplin, Marcel Marceau, WC Fields e Frank Sinatra - com a recolha, à entrada, de um envelope fechado onde se lê, em letras garrafais, “Não abrir”.

Um truque de Luís de Matos para cativar, desde o início, os espectadores, convidando-os a fazer a sua própria magia antes do final da primeira parte.

“A magia não acontece no palco mas acontece nas mãos das pessoas, com as pessoas a manipularem, a tomarem decisões, a rasgarem, a atirarem coisas ao ar, a divertirem-se, a fazerem coisas que nunca fariam, que nunca fizeram dentro de um teatro - muito menos dentro do Folies Bergère - e ainda assim, no final, o resultado é surpreendente”, descreveu o português que assegurou a apresentação do espetáculo, num francês fluente e com um ligeiro sotaque a baralhar alegremente o público que não sabia se devia pôr as cartas “dessus” (em cima) ou “dessous” (em baixo).

O espetáculo estreou-se em 2012 na Opera House, em Sydney, e, desde então, esteve “cinco vezes na Austrália, duas vezes na Nova Zelândia, no México, na Turquia, no Dubai, Abu Dhabi”, estando programado para as cidades francesas de Estrasburgo, Lille e Lyon, em fevereiro, continuando em tournée até abril por “Moscovo, Antuérpia, Bruxelas, Berlim, Amesterdão, Dublin, Arábia Saudita”.

“Houve alguns elementos que foram mudando, que foram alternando. Eu e mais alguns somos, mais ou menos, as âncoras da produção. É um privilégio muito grande ser cabeça de cartaz deste coletivo único e fantástico”, afirmou Luís de Matos, acrescentando que em Portugal ainda não há datas marcadas para “um espetáculo muito dispendioso” de “uma companhia de 100 pessoas”.

“Os bilhetes aqui em Paris - que estamos ao lado de Portugal - variam entre 30, 40, 50, 80, 90, 95 euros e esse nível de preços é um nível de preços a que nós, portugueses ou espanhóis, não estamos habituados (…) Infelizmente, a cultura em Portugal continua a ser o parente pobre, continuamos a não chegar àquele um por cento do Orçamento Geral do Estado”, disse.

Luís de Matos explicou, também, que o espetáculo junta “sete formas diferentes de estimular a capacidade de sonhar” e de “desafiarem a imaginação”, sendo “sete formas muito contemporâneas numa altura em que a exigência das pessoas é maior”.

A 29 e 30 de dezembro, Luís de Matos apresenta o espetáculo “Chaos” no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, depois retoma a digressão do “The Illusionists” até abril e já está a preparar um programa de televisão e um espetáculo novo.

 


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