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Revista PORT.COM • 26-Dez-2016
Organização portuguesa planeia comercializar arroz biológico na Guiné-Bissau



Um estudo encomendado pela União Europeia sobre o potencial da Guiné-Bissau para produzir arroz e apresentado em 2015 concluiu que o país pode ser autossuficiente e até exportar se apostar na formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

A Afectos com Letras, organização não-governamental portuguesa, tem em marcha um plano para comercializar arroz biológico na Guiné-Bissau e aumentar o rendimento local, disse à agência Lusa a presidente, Joana Benzinho. “O objetivo é criar uma cooperativa” na região de Cacheu, para onde a ONG já doou três descascadoras de arroz que estão ao serviço em diferentes aldeias e assim criar uma fonte de receita acrescida para a população local.

O arroz está na base da alimentação guineense, de manhã à noite, das crianças aos mais velhos. No entanto, o ciclo de produção (da sementeira ao descasque) funciona de forma artesanal em todo o país, ocupando grande parte do tempo das mulheres. A oferta de descascadoras “tem tido impacto”, relatou Joana Benzinho.

“Há mudanças positivas: as meninas já frequentam as escolas, as mães dedicam-se a outro tipo de horticultura que permite aumentar o rendimento do agregado familiar e os vizinhos tentam também ter tempo para usar a máquina”, descreveu.

A presidente da Afectos com Letras quer que este seja o primeiro passo de um plano maior para valorizar um produto alimentar guineense cujo potencial, baseado nas propriedades de origem biológica, o país desconhece. “Neste momento não há excedentes, a população consome tudo o que produz. Mas o objetivo é criar uma cooperativa entre as três tabancas (aldeias) abrangidas: Bamarmbe, Blequisse e Jeta” que possa promover o produto mal haja quantidade.

Será criado um ponto de recolha geograficamente equidistante das três descascadoras e para tratamento final do arroz, de maneira a ser “ensacado e rotulado como arroz da terra, totalmente biológico”, referiu. O “selo” biológico dos produtos locais pode ser o contraponto de um setor onde a mecanização e o uso de adubos é quase inexistente.

Um estudo encomendado pela União Europeia sobre o potencial da Guiné-Bissau para produzir arroz e apresentado em 2015 concluiu que o país pode ser autossuficiente e até exportar se apostar na formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. No entanto, a instabilidade política crónica tem feito com que as políticas públicas não avancem e o território não supera a habitual produção anual a rondar as 200 mil toneladas, às quais é preciso juntar outras 90 mil toneladas de importação para satisfazer o mercado interno.


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